terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um milhão de visitantes!!! Um milhão de acessos!!!

Os visitantes do Blog Filosofando me deram uma enorme alegria ao entrarem nesta página neste começo de dezembro de 2016... 1.000.000 de visitas em busca de conhecimento!!!
Muito obrigado a todos!
Continuarei postando temas relevantes que sempre agreguem valor e conhecimentos!!!
Obrigado Senhor!
Obrigado amigos!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Avança a Reforma No Ensino Médio através da Medida Provisória 746

Avança a Reforma No Ensino Médio através da Medida Provisória 746

por Frank Viana Carvalho

A comissão especial da Câmara responsável pela Análise da MP do Ensino Médio fez algumas alterações e aprovou o texto da MP 746/2016.
As principais características que modificam o Ensino Médio no Brasil e que devem ser aprovadas em Plenário até fevereiro de 2017:

- A carga horária dedicada à BNCC - Base Nacional Curricular Comum - será de 1800 horas (aumentaram a carga horária de 1200 para 1800 horas);
- Colocaram a BNCC ao longo dos três anos - será dada de forma concomitante com os itinerários formativos ou áreas (antes estava apenas no primeiro ano e meio);
- Mantiveram a questão do Notório Saber – professores ou profissionais sem formação específica, mas que demonstrem notório saber poderão lecionar (cada estado definirá as normas para isso);
- Os estados definirão o cronograma de implantação do Novo Ensino Médio;
- Artes e Educação Física voltaram a ser obrigatórias na BNCC (Filosofia e Sociologia deixaram de ser obrigatórias);
- O prazo para implantação completa do novo EM é de cinco anos;
- As escolas que implementarem a educação de tempo integral receberão auxílio financeiro por dez anos (na MP eram quatro anos);
- As Escolas de EM de Tempo Integral terão que oferecer 1400 horas/ano, totalizando 4200 horas;
- Hoje o EM regular oferece 800 horas por ano (2400 horas ao longo de três anos). Com a mudança, terá que oferecer 1000 horas por ano - mesmo as escolas que não forem de tempo integral). As Escolas terão o prazo de 5 anos para se adaptar.
- Assim, o EM regular terá que ter 5 horas por dia  (5h x 200 dias= 1000h).
- Com o aumento da carga horária da BNCC (indo para 1800 horas), o percentual formativo ficou em 600 horas/ano (60%) para a BNCC, e 400 horas/ano (40%) para a área/itinerário formativo de escolha do estudante nas escolas que não são de tempo integral;
- Língua inglesa ficou obrigatória em toda a educação básica - o que implica em tê-la nos três anos do EM.
- Foi retirada da MP a afirmação de que as escolas poderiam oferecer um único itinerário formativo ou área - por outro lado não está escrito que as escolas são obrigadas a oferecer várias ou todas as áreas, o que dá no mesmo.
- Somente terão condições de oferecer o novo Ensino Médio de forma completa (várias áreas), escolas que tiverem estrutura adequada (leia-se várias salas de aulas e espaços educativos necessários às áreas/itinerários formativos);
- O aluno escolherá no momento do ingresso no Médio, o que implica em dizer que o EM no Brasil deixará de ser de dois tipos de oferta (regular ou técnico), para ser de cinco tipos;

- Ou seja, teremos cinco possíveis ofertas diferenciadas de Ensino Médio através das diferentes áreas (itinerários formativos):
1. Linguagens (Língua Portuguesa, Artes, Educação Física; Língua Inglesa e uma segunda Língua Estrangeira Moderna – provavelmente Espanhol);
2. Matemática;
3. Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia);
4. Ciências da Natureza (Biologia, Química e Física);
5- Curso Técnico de Ensino Médio.
(*) Observe que os estudantes terão essas disciplinas dentro dessas áreas de escolha (40% do tempo de formação), além das aulas da BNCC (60% do tempo/horas-aulas). A MP prevê que os sistemas de ensino estaduais deverão incluir disciplinas, atividades e conteúdos dentro das áreas citadas, além das disciplinas citadas. É provável que as redes particulares de ensino ofereçam ainda mais conteúdos e atividades;

- Conclui-se que nas escolas que oferecerem mais de uma opção do EM, os alunos estarão juntos em 60% das aulas (na mesma sala de aula) e separados em 40% do tempo em tantas salas quanto forem as ofertas de áreas numa mesma escola;
- As únicas disciplinas obrigatórias nos três anos do EM na BNCC  (60% do tempo das aulas)  serão Língua portuguesa, Matemática e Inglês. As outras terão que se modelar encaixando-se nos três diferentes anos;
- Os relatores da proposta se eximiram de dizer ou afirmar que muitas escolas oferecerão apenas uma área ou itinerário formativo  - o 'peso' desse anúncio ficará com os sistemas de ensino estaduais;
- Se for oferecido sempre de forma presencial, o EM ficará mais caro do que é hoje: terá que oferecer a BNCC ao longo dos três anos do EM  (e não um ano e meio); no total, o EM passará de 2400 horas para 3000 horas; na MP original o governo pretendia oferecer uma BNCC de apenas 1200 horas e terá que oferecer 1800 horas; mesmo com a tentativa de atrair novos profissionais do Notório Saber para lecionar os itinerários formativos ou áreas, eles atuarão como docentes e receberão como docentes;
- Os relatores incluíram a alimentação escolar como uma responsabilidade dos sistemas de educação responsáveis pelo EM;
- Como os diferentes itinerários formativos ou áreas abrangem ou envolvem as disciplinas que hoje existem, aumentará a demanda por profissionais da educação nas áreas mais solicitadas.

Os pontos NEGATIVOS ou QUESTIONÁVEIS:

- Tudo está sendo feito sem que a BNCC esteja definida. Os grupos de estudo ainda não chegaram à definição final da Base Curricular. O ideal é que a Reforma fosse feita após a definição;
- As mudanças foram feitas por MP e não por Projeto de Lei (que leva mais tempo, mas possibilita uma melhor discussão/debate);
- Filosofia e Sociologia ficaram de fora numa evidente demonstração de que essas disciplinas não estarão na BNCC do EM;
- Fica um tanto evidente que grande parte das escolas, por falta de estrutura física ou de recursos humanos, oferecerá uma ou duas áreas;
- Deve ser analisada com mais atenção a possibilidade de oferta de disciplinas pelo modelo de educação à distância: alguns sistemas, como forma de baratear os custos, poderão oferecer (muitas) disciplinas em EAD;
- Assim, um problema evidente que não foi corrigido na remodelação da MP é busca incessante por diminuição de custos em detrimento da qualidade na educação: nela está o risco de dispensa de professores para substituí-los por disciplinas em EAD;
- Com base no IBGE 3.585 cidades têm apenas uma escola de ensino médio. Se não tiverem recursos para oferecer mais de uma área, os alunos ficarão limitados em suas oportunidades de escolha e formação;
- Se os sistemas estaduais estabelecerem um cronograma onde as escolas devam imediatamente iniciar a implantação (indo das 800 progressivamente até as 1000 horas), no começo as escolas deverão reduzir a BNCC a apenas 480 horas anuais e dedicar 320 horas ao(s) itinerário(s) formativo(s). É a proporção 60/40 prevista nesta legislação. Hoje a BNCC ocupa praticamente a totalidade das 800 horas/anuais;
- Há pessoas com muito conhecimento que ajudariam de forma adequada a suprir a demanda por profissionais em algumas áreas, mas se os critérios do Notório Saber não forem muito bem estabelecidos, há um risco evidente de diminuição da qualidade, pois a questão didática na relação ensino e aprendizagem tem tanta relevância quanto o conhecimento técnico.

Conclusões

Não se pode negar a boa intenção de realizar uma reforma que está avançando muito devagar  há muitos anos. No entanto, importantes perguntas não foram suficientemente debatidas ou analisadas e isso é perigoso. Mudar para quê? Qual  a finalidade imediata e qual o propósito último dessa mudança? Não está essa reforma dando uma grande ênfase ao ‘como’ em detrimento do ‘porquê’?
Caminhamos para modelos de EM que resultarão em preparação específica para diferentes áreas. Por um lado, a virtude do aluno enfocar nas disciplinas que tem mais a ver com suas habilidades e preferências; e por outro, o risco de muitas escolas oferecerem apenas uma ou poucas áreas visando a economia ou o ingresso nos cursos mais disputados que em geral exigem conhecimentos de Exatas (Matemática) e Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia). Mas essa é uma conjectura - só o tempo, as ações dos sistemas de educação e seus profissionais, e finalmente o interesse e engajamento dos estudantes dirão se as medidas tomadas na Reforma do EM são mais acertadas ou equivocadas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Palestra no Rio Grande do Sul - Cooperação e União fazem a diferença

O Sicredi e a Cotriel, juntamente com os municípios de Campos Borges, Jacuizinho, Salto do Jacuí e a Cooperativa Educacional João Batista Rotta realizaram no começo de setembro de 2016 na Afeco, em Espumoso, o 8º Seminário Regional do Programa "A União Faz a Vida".


O evento teve como objetivo integrar e motivar as pessoas que contribuem para o êxito do programa de Educação Cooperativa. 
E lá tive a oportunidade de motivar os professores com conteúdos significativos da Aprendizagem com cooperação e a importância do trabalho em equipe na educação.

Entre as várias reflexões, também momentos de descontração e interação com os participantes. Clique abaixo:





domingo, 13 de novembro de 2016

Se, Quase e Pentimentos

Se, Quase e Pentimentos
por Frank Viana Carvalho

Esses dias do lançamento do livro do Tostão fizeram-me lembrar dos ‘pentimentos’, palavra de origem latina que significa o rumo diferente que as escolhas podem ou poderiam nos levar.

Em algumas coisas da vida, dá para fazer escolhas múltiplas, e viver ao mesmo tempo caminhos que às vezes se harmonizam, às vezes se conflitam. Na modernidade a grande maioria quer uma carreira de sucesso e ao mesmo tempo uma vida pessoal de tranquilidade, afeto e realizações. Na prática, pouca gente consegue isso.

No filme, ‘O Diabo veste Prada’, fica evidenciada uma máxima dos antigos: o sucesso cobra um preço que a maioria de nós não está disposta a pagar...

Se cada escolha representa uma renúncia, nada se realiza sem perdas: às vezes, por não querer perder nada, acabamos perdendo tudo...

Mas a vida tem muitos aspectos de decisões que vão além do dilema sucesso profissional versus sucesso pessoal. Eles envolvem tanto o “se” dos pentimentos, como os “quase” do novo livro do Tostão.

Ah, se eu tivesse sido... se eu tivesse feito...

Como é que seria? Às vezes é fácil fazer essa análise, às vezes é difícil.

Às vezes perdemos com as escolhas, e às vezes ganhamos. Na verdade, como cada escolha envolve uma renúncia, sempre perdemos e sempre ganhamos. A questão que sempre fica é: o que vale a pena?

Mas até mesmo 'o que vale a pena' é difícil de responder, pois o que vale a pena hoje pode mudar e não valer a pena amanhã...

“Todo encontro é um reencontro, com o que vivemos, imaginamos, sonhamos, deixamos de viver ou com o que perdemos”. (Eduardo G. Andrade - Tostão)

Muitas coisas que desejamos não conseguimos. Outras, que temos, às vezes perdemos. E isso muitas vezes é bom, pois são perdas necessárias que levarão a outros ganhos.

Mas de fato, o que queremos? Viver nossos desejos e sonhos? Resolver problemas?

Viver os sonhos e desejos nos dá uma sensação de plenitude, resolver os problemas nos dá um sentimento de satisfação. Só que resolver um problema ao fazer escolhas é mudar a natureza do problema, e isso trará outros problemas. Mas assim é a vida, resolver problemas e tentar realizar nossas vontades (sonhos e desejos).

Embora haja mais semelhanças, por muito pouco, há de fato diferenças entre os ‘se’, e os ‘quase’. Os ‘se’ parecem ser mais suposições, e os ‘quase’ parecem ser reviravoltas do destino. É por isso que alguns contornam ou driblam os ‘quase’ e vão lá e 'fazem' ou 'vivem'.

A pergunta se repete: o que de fato queremos? Apenas estar seguros de que somos capazes de conseguir? Como saber se queremos se o temor nos impede de avançar? Ou se acontecer de querer, mas sermos levados a renunciar o que queremos?

Não existe vida linear, com acontecimentos corretamente estabelecidos e ordenados – sempre há interrupções e mudanças. Ah, as mudanças... elas são inevitáveis.

Uma vez perguntaram a Rubem Alves porque ele era escritor. Ele disse, entre sorrisos, que era porque tudo que ele havia tentado antes (pastor, professor, psicanalista, conferencista), de alguma forma, não tinha dado certo. No final ele riu da própria resposta que havia dado...

Até nisso uma pergunta: o que é que dá certo no sentido da perfeição? Talvez pouca coisa.

Mas se considerarmos que somos seres imperfeitos buscando encontrar um sentido, um caminho, ou melhor, buscando encontrar a nós mesmos... sim, em cada escolha estaremos nos encontrando...

Por instantes fugazes, por detalhes simplórios, e por acasos, a vida muda, tudo muda, ganhamos e perdemos.

Algumas pessoas têm mais “quase” do que outras. Outras, têm mais 'se'...

É como diria João Guimarães Rosa: “Viver é um descuido prosseguido”.

Para reflexão:
Tempos Vividos, Sonhados e Perdidos. Eduardo Andrade (Tostão) fala muito sobre os 'quase'.
Filme "Um Dia" de Lone Scherfig retrata os 'pentimentos'.

Emília Ferreiro

Emília Ferreiro é uma psicolinguista argentina que doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget. A sua carreira profissional foi especialmente construída no México. Ela inovou ao utilizar a teoria do mestre de Genebra para investigar um campo que não tinha sido objeto direto de estudo piagetiano: a alfabetização. Por muitos anos foi pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional, no México.

Para Emília as crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização. Apesar da criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao  professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita.

 A contribuição de Emília Ferreiro ocorre especialmente no que se refere à alfabetização. Para ela é preciso respeitar o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo da leitura e da escrita eles estão.

Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, que Emília escreveu com Ana Teberosky em 1979. A obra, um marco na área, mostra que as crianças não chegam à escola vazias, sem saber nada sobre a língua. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada. A estas fases, Emília dá o nome de hipóteses (justamente porque a criança constrói hipóteses sobre a sua compreensão da escrita):
pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra;
silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.



Há uma tentativa de se estruturar essa metodologia em torno de princípios que organizam a prática do professor. O fato de a criança aprender a ler e escrever lendo e escrevendo, mesmo sem saber fazer isso, é um desses princípios. Nas escolas verdadeiramente construtivistas, os alunos se alfabetizam participando de práticas sociais de leitura e de escrita. A referência de texto para eles não é mais uma cartilha, mas textos às vezes complexos.

Hoje, o conhecimento sobre esse processo continua avançando. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita, o trabalho da pesquisadora argentina não dá indicações de como produzir ensino. Não existe o "método Emilia Ferreiro", com passos predeterminados, como muitos ainda possam pensar. Mas existem indicações de como se processar a construção do conhecimento. No entanto, há polêmica em torno do trabalho da psicolinguista. Os professores não têm à disposição uma metodologia de ensino da língua escrita coerente com as mudanças apontadas pela psicolinguista. E hoje ainda se reacendem os debates sobre qual é o caminho mais adequado e rápido para se alfabetizar uma criança: se o caminho global apontado por Emília (do todo para as partes) ou, por exemplo, se caminhos fônicos, silábico-alfabéticos, apontados por outros estudiosos da alfabetização em diferentes países (das partes para o todo), ou mesmo a utilização de vários caminhos ao mesmo tempo.

Referências:
FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Artmed Editora. Porto Alegre. 1999.
Link: http://novaescola.org.br/conteudo/338/emilia-ferreiro-estudiosa-que-revolucionou-alfabetizacao

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