sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lucidez: Questões Urgentes a serem trabalhadas na Educação Brasileira


Frank V. Carvalho

Concurso público da prefeitura de Vila Rica, no interior do Mato Grosso, para professores e operadores de máquinas:

- Operador de escavadeira hidráulica, com ensino fundamental incompleto, R$ 1.291,98,
- Professor com ensino superior completo R$ 1.246,32.

Por que se paga tão mal ao professor no Brasil? Por que a carreira do magistério está tão desvalorizada?

Os governantes estão errando? O sistema está com problemas? Essa é a principal razão por que a educação brasileira vai mal? O que pode ser feito?

Entre os vários erros, os dois principais estão na valorização da carreira do magistério e nos programas oficias de formação docente.

Valorização da Carreira. Além de uma melhoria REAL no piso (com apoio do FUNDEB para complementar valores para prefeituras e estados menos ricos), obrigar por LEI que todos os sistemas (públicos e particulares) tenham planos de Carreira com progressão salarial por tempo, por estudos adicionais (estímulo a formação continuada) e por mérito funcional (pontualidade, assiduidade e progresso nos índices da aprendizagem real dos alunos demonstrada em avaliações independentes - Prova Brasil, SAEB, SARESP, etc.).

Com relação a formação docente, duas coisas são necessárias. A primeira é a IMEDIATA formação de uma comissão de educadores para que se faça uma REVISÃO significativa nos programas de formação e nas grades curriculares, pois MUITAS faculdades NÃO ensinam o BÁSICO aos futuros professores:

- aos que trabalham com séries iniciais, NÃO ensinam COMO ALFABETIZAR e NÃO ensinam como ENSINAR Matemática Básica aos alunos (as faculdades SÓ teorizam sobre estes assuntos e isso NÃO capacita os professores) - é por isso que MUITOS alunos chegam ao quinto ano, e por que não dizer, na última série do ensino fundamental (nono ano, antiga oitava série) sabendo apenas rudimentos de leitura e escrita (semianalfabetos) e quase nada de Matemática. ;

- aos das séries mais avançadas, FALTA ensino de DIDÁTICA e de PRÁTICA de ENSINO reais. Simplesmente NÃO sabem dar aulas. Mas vale ressaltar que muitíssimos professores ENSINAM mal porque nunca lhes ensinaram como ensinar BEM.

A segunda coisa é, ao mesmo tempo em que o governo deve ampliar o número de vagas para formação docente em instituições públicas, INTERROMPER o desmonte e sucateamento das instituições de ensino superior privadas, onde o governo, pela sua clara permissão e omissão, tem deixado o SETOR ser SIMPLESMENTE regulado por leis de mercado. Neste mercado tenebroso, as grandes 'engolem' as pequenas e as 'falidas', e para reduzir ainda mais os custos refazem os planos de carreira COM PROPOSTAS SALARIAIS MAIS BAIXAS, mandam embora os docentes mais qualificados (doutores e mestres), enchem o currículo de matérias online (de baixíssimo custo e aproveitamento questionável) e se engalfinham PARA descobrir QUAL instituição PARTICULAR conseguirá oferecer os cursos MAIS baratos. A realidade tem mostrado que essa fómula produz péssimos resultados em termos de formação dos estudantes, além de justificar a REPORTAGEM inicial deste meu artigo, que é a desvalorização docente - neste último caso, dos docentes do Ensino Superior.

O problema e as soluções estão aí.

Ainda acredito que este país pode dar certo.

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